Domingo, 23 de Outubro de 2011

O momento da viragem

Fez por esta altura dois anos que se realizaram as últimas eleições autárquicas, nas quais o PS Mealhada obteve uma vitória clara sobre o PSD local e nas quais o Prof. Carlos Cabral foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Mealhada pela última vez. Chegámos a meio do mandato autárquico: período de viragem em qualquer mandato político, no qual os eleitos agem tendo em consideração, entre outras coisas, a eleição (ou reeleição).

O caso mealhadense tem a particularidade de ter um presidente que não poderá ir a eleições, porquanto a lei da limitação de mandatos o impõe. Todavia, isso não implica que muitos dos principais actores da vida política concelhia com poder decisivo nos órgãos autárquicos não tenham a pretensão de vir a ser escolhidos pelos seus partidos para virem a liderar ou a integrar uma candidatura autárquica em 2013. As posições eleitoralistas vão ser cada vez mais regulares e a luta pelo palco político e mediático agudizar-se-á.

A 23 de Setembro de 2011, na Assembleia Municipal de Mealhada, realizada no Luso, houve uma divisão entre socialistas, no seguimento daquela que já havia existido na reunião de Câmara, a propósito das taxas dos impostos pagos pelos munícipes. Nesta assembleia municipal, deram-nos um lamiré daquilo que teremos nos próximos dois anos: no partido vencedor do último embate eleitoral local – teoricamente aquele que parte em vantagem para o confronto eleitoral e, por conseguinte, o que dá maiores garantias de vitória –, as divergências aparecerão naturalmente; ao partido vencido resta aproveitar os deslizes do adversário (principalmente as suas divisões) e organizar-se internamente para apresentar uma equipa coesa e um projecto para o concelho que aposte na qualidade e inovação para tentar alcançar uma vitória que lhe escapa há mais de 20 anos.

Esta é a altura a partir da qual tudo começará a ter um significado diferente. As várias correntes dentro de cada partido têm de vencer as primárias – se assim lhe podemos chamar –, que para alguns são mais difíceis do que as próprias eleições autárquicas, para apresentarem os seus projectos políticos para o município. Depois há que formar equipas para a câmara e para as várias freguesias e elaborar os projectos políticos para o concelho.

Ao PSD, partido no qual a JSD terá uma palavra a dizer, que se apresenta internamente unido, resta começar a debater internamente e delinear uma estratégia, definir uma equipa e elaborar um projecto político com qualidade para apresentar aos mealhadenses.

José António Pires
JSD Mealhada

Artigo de opinião publicado no jornal Mealhada Moderna

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