Agendar a Mealhada
Participei, no passado Sábado, num evento concelhio subordinado à Agenda 21 local como representante da Juventude Social Democrata, porventura a primeira organização a falar em Agenda 21 no concelho, que estranhamente não foi inicialmente convidada. Posso dizer, antes do mais, que foi um bom ponto de partida, pese embora o facto de se estar numa fase inicial que não permite saber o que vai resultar desta iniciativa. Este evento da Agenda 21 local teve no seu programa: a apresentação do diagnóstico; um workshop para identificar os pontos fortes e os pontos fracos do concelho e para, respectivamente, potenciá-los e minimizá-los; e uma sessão plenária de apresentação dos resultados do trabalho desenvolvido pelos vários grupos criados.
A primeira fase da Agenda 21 local consiste na auscultação dos agentes locais com o intuito de fazer um diagnóstico para definir uma estratégia para criar um concelho sustentável. Como já aqui escrevi, a Agenda 21 local, apesar de necessitar do impulso inicial do poder autárquico, é um processo que necessita do envolvimento de toda a comunidade na construção de um plano de acção estratégico para um desenvolvimento sustentável. Pretende-se que haja uma ampla participação das empresas, das associações e de outras colectividades, e pretende-se, igualmente, que haja uma participação activa dos cidadãos a título individual. Este objectivo ainda não foi plenamente alcançado. Falta a presença do sector empresarial do concelho, que terá um papel preponderante na construção e concretização do plano. E falta também a participação activa dos cidadãos a título individual: apenas 260 pessoas responderam ao inquérito colocado no sítio da Câmara Municipal da Mealhada, num concelho que, segundo os resultados preliminares dos censos de 2011, tem uma população residente de 20 340. O que indicia um dos problemas discutidos neste workshop, existente no concelho (e no país): a fraca participação cívica.
Futuramente, tem de se encontrar outras formas de cativar as pessoas para esta discussão. Uma vez que Maomé não vai à montanha, terá de ir a montanha a Maomé. Deste modo, será importante, por exemplo, levar a Agenda 21 às empresas e às escolas através da criação de acções dirigidas especialmente para estas.
Outro problema que identifiquei foi o facto de metade dos presentes ter directa ou indirectamente uma ligação político-partidária. Ora, a agenda 21 local deve ter a participação dos políticos, sobretudo como auscultadores, uma vez que estes já têm a obrigatoriedade de apresentar o seu plano de acção para o concelho quando se submeterem a eleições, mas deve servir principalmente para trazer outras pessoas para o debate, com a criação de um grupo multissectorial que crie o plano de acção supramencionado. Não se pode negar o mérito desta primeira iniciativa da Agenda 21 local haver trazido muita gente para o debate público sobre o concelho; no entanto, será necessário uma maior percentagem de outro tipo de intervenientes, sob pena de a Agenda 21 não acrescentar nada de novo.
Quanto ao objecto da discussão, não houve grandes surpresas. Como seria de esperar, entre os pontos negativos, aparece os maus cheiros e o estado degrado de muitos edifícios, e entre os pontos positivos, temos a gastronomia, a Mata do Bussaco e Luso e a nossa localização. Estamos, com efeito, num concelho com enorme potencial na área do turismo e que deverá, por conseguinte, ter essa área de actividade como prioridade para um desenvolvimento sustentável. Houve ainda um aspecto curioso discutido: a falta de unidade do concelho. É curioso, uma vez que resulta de um aspecto positivo do concelho – a localização –, pois ao localizar-se numa zona central acaba por fazer com que as pessoas do concelho criem laços e ligações com outras cidades – Coimbra, Cantanhede, Anadia e Aveiro.
Depois de identificados as potencialidades e os problemas, numa próxima acção, será importante que se chegue a soluções concretas para minimizar os problemas e para potencializar os pontos fortes da Mealhada. Para tal será necessário fazer todo um trabalho de gabinete que recolha mais informação, trate a recolhida até aqui e a faça chegar aos participantes e a todos os interessados.
José António Pires
JSD Mealhada
Artigo de opinião publicado no jornal Mealhada Moderna
A primeira fase da Agenda 21 local consiste na auscultação dos agentes locais com o intuito de fazer um diagnóstico para definir uma estratégia para criar um concelho sustentável. Como já aqui escrevi, a Agenda 21 local, apesar de necessitar do impulso inicial do poder autárquico, é um processo que necessita do envolvimento de toda a comunidade na construção de um plano de acção estratégico para um desenvolvimento sustentável. Pretende-se que haja uma ampla participação das empresas, das associações e de outras colectividades, e pretende-se, igualmente, que haja uma participação activa dos cidadãos a título individual. Este objectivo ainda não foi plenamente alcançado. Falta a presença do sector empresarial do concelho, que terá um papel preponderante na construção e concretização do plano. E falta também a participação activa dos cidadãos a título individual: apenas 260 pessoas responderam ao inquérito colocado no sítio da Câmara Municipal da Mealhada, num concelho que, segundo os resultados preliminares dos censos de 2011, tem uma população residente de 20 340. O que indicia um dos problemas discutidos neste workshop, existente no concelho (e no país): a fraca participação cívica.
Futuramente, tem de se encontrar outras formas de cativar as pessoas para esta discussão. Uma vez que Maomé não vai à montanha, terá de ir a montanha a Maomé. Deste modo, será importante, por exemplo, levar a Agenda 21 às empresas e às escolas através da criação de acções dirigidas especialmente para estas.
Outro problema que identifiquei foi o facto de metade dos presentes ter directa ou indirectamente uma ligação político-partidária. Ora, a agenda 21 local deve ter a participação dos políticos, sobretudo como auscultadores, uma vez que estes já têm a obrigatoriedade de apresentar o seu plano de acção para o concelho quando se submeterem a eleições, mas deve servir principalmente para trazer outras pessoas para o debate, com a criação de um grupo multissectorial que crie o plano de acção supramencionado. Não se pode negar o mérito desta primeira iniciativa da Agenda 21 local haver trazido muita gente para o debate público sobre o concelho; no entanto, será necessário uma maior percentagem de outro tipo de intervenientes, sob pena de a Agenda 21 não acrescentar nada de novo.
Quanto ao objecto da discussão, não houve grandes surpresas. Como seria de esperar, entre os pontos negativos, aparece os maus cheiros e o estado degrado de muitos edifícios, e entre os pontos positivos, temos a gastronomia, a Mata do Bussaco e Luso e a nossa localização. Estamos, com efeito, num concelho com enorme potencial na área do turismo e que deverá, por conseguinte, ter essa área de actividade como prioridade para um desenvolvimento sustentável. Houve ainda um aspecto curioso discutido: a falta de unidade do concelho. É curioso, uma vez que resulta de um aspecto positivo do concelho – a localização –, pois ao localizar-se numa zona central acaba por fazer com que as pessoas do concelho criem laços e ligações com outras cidades – Coimbra, Cantanhede, Anadia e Aveiro.
Depois de identificados as potencialidades e os problemas, numa próxima acção, será importante que se chegue a soluções concretas para minimizar os problemas e para potencializar os pontos fortes da Mealhada. Para tal será necessário fazer todo um trabalho de gabinete que recolha mais informação, trate a recolhida até aqui e a faça chegar aos participantes e a todos os interessados.
José António Pires
JSD Mealhada
Artigo de opinião publicado no jornal Mealhada Moderna














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